Guerra do Tráfico: “Se não vier para cá, vai morrer”, diz delegado sobre como facções cooptam rivais
Facções usam ameaça de morte para forçar rivais a mudarem de lado
A disputa por territórios no interior da Bahia tem revelado uma tática de recrutamento violenta entre as organizações criminosas, baseada no terror e na ameaça direta de morte. De acordo com o delegado Rafael Almeida Oliveira, coordenador regional da 1ª Coorpin, a mudança de sigla criminosa por parte dos suspeitos não ocorre através de propostas vantajosas, mas sim por pura coerção.
Segundo o delegado, os depoimentos colhidos pela Polícia Civil revelam que os membros de grupos rivais são sistematicamente intimidados. “Quando um tipo de facção se fortalece mais que a outra, ela vai captar esses indivíduos na base da ameaça: ‘nós estamos mais fortes e se não vier para cá, vai morrer’. Simples assim”, relata Rafael Almeida Oliveira.
As investigações confirmam que não existe qualquer tipo de benefício real, ganho financeiro ou melhoria na rotina oferecida a quem aceita a imposição e muda de lado. “Não tem muita vantagem porque o modo de vida deles não muda, a qualidade de vida deles não muda”, destaca o coordenador da 1ª Coorpin. Para o delegado, o único atrativo para estes criminosos é a manutenção de um falso status: “A ambição deles é apenas estar com uma arma e demonstrar poder em cima de pessoas da comunidade, pessoas que devem drogas a eles. A ambição deles é essa: ter a ilusão de poder simplesmente porque carregam uma arma”.
Este atrito gerado pelas constantes trocas de facção resulta frequentemente em retaliações e banhos de sangue. O delegado cita um caso no município de Rafael Jambeiro, onde a migração de um suspeito para a organização criminosa rival gerou intrigas e um ciclo de vingança. O coordenador regional define o perfil destes criminosos de forma categórica: “São indivíduos totalmente desprovidos de qualquer tipo de ética ou moral, e que não têm nenhuma noção do reflexo das ações irresponsáveis”. Como consequência dessa brutalidade, a violência escapa do submundo do crime e atinge a sociedade. Na disputa, o perigo “termina resvalando para pessoas inocentes, inclusive uma criança”, lamenta o delegado


