Força-Tarefa deflagra “Primus II” para desarticular esquema bilionário no setor de combustíveis

Nova fase da operação mira “testas de ferro” e empresas de fachada que ocultavam sonegação fiscal e lavagem de dinheiro iniciada por organização criminosa.
Em um desdobramento estratégico para combater crimes financeiros na Bahia, a Força-Tarefa de Combate à Sonegação Fiscal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (17), a Operação Primus II – Fase Deuteros. A ação concentrou-se no cumprimento de mandados de busca e apreensão em Feira de Santana e Conceição do Jacuípe, mirando o braço empresarial de um esquema que já resultou no bloqueio de bens bilionários

Participaram da coletiva e detalharam a ação os promotores de Justiça Alex Neves e Cláudio Jenner, do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA); a delegada Haline Peixinho, da Polícia Civil; o delegado Fabio Lordello (Draco/Necot); e a inspetora Sheila Cavalcanti, da Secretaria da Fazenda (SEFAZ).
O Esquema: Empresas de Fachada e “Laranjas”
Segundo a delegada Haline Peixinho, o esquema funcionava através da utilização de pessoas interpostas e da criação de empresas de fachada. Ela destacou que a investigação avançou significativamente com a análise de materiais apreendidos anteriormente: “Isso de fato robusteceu, principalmente para a adoção de novas medidasA investigação aponta que 14 empresas eram utilizadas para ocultar o real controle do grupo criminoso, liderado por um empresário já denunciado por crimes contra a ordem econômica. O promotor Cláudio Jenner explicou que esta fase buscou diferenciar o papel dos envolvidos: “Existem os laranjas, pessoas incluídas sem saber, e os ‘testas de ferro’, aqueles que colaboram com seu nome e seu CPF para a atividade ilícita”.
Lavagem de Dinheiro e Prejuízo ao Erário
A investigação revelou uma complexa engenharia financeira que envolvia transferências bancárias e investimentos em fundos para dar aparência lícita aos recursos. O delegado Fabio Lordello explicou a importância da precisão técnica nesta fase: “Essa é a ‘lupa’ que tem que ser feita pelas forças que atuam no Estado… justamente para identificar onde esse dinheiro está indo e para quemAté o momento, a sonegação de ICMS apurada nesta fase gira em torno de R$ 4 milhões, mas a Força-Tarefa acredita que o ganho ilícito seja significativamente maior. Na primeira etapa da operação, o bloqueio de bens alcançou a marca de R$ 6,5 bilhões.
Combustível Adulterado e o Impacto no Consumidor
Além da fraude fiscal, o promotor Cláudio Jenner ressaltou que o grupo atuava na distribuição irregular de combustíveis adulterados. Ele alertou que o consumidor é o principal lesado e deve denunciar suspeitas à Agência Nacional de Petróleo (ANP) ou às autoridades: “É importante a participação popular nisso, denunciando, inclusive de forma anônima, para que isso seja combatido”.Embora novas prisões não tenham sido efetuadas hoje, as medidas cautelares e o bloqueio de bens permanecem em vigor. A delegada Haline Peixinho confirmou que a investigação continua e que novas ramificações podem surgir: “Com certeza vão surgir também outras ramificações, principalmente em outros estados”.
Blog Central de Polícia, com informações de Denivaldo Costa ( Rádio Subaé)