Cunha prevê prisões de Moreira e Geddel, enquanto advogado de Temer quer invalidar gravação de Joesley
O inferno de Michel Temer está longe de terminar. Os próximos alvos para atingir o Presidente serão seus “homens de confiança”. O ilustre preso Eduardo Cunha faz vazar a premonição de que Moreira Franco e Geddel Vieira Lima serão presos por fatos delatados pelo doleiro Lúcio Funaro.´Estranhamente aliviando Eliseu Padilha em sua maldição, Cunha também aposta que, assim que fechar sua delação (negata oficialmente até agora), será solto pelo Supremo Tribunal Federal.
As “Memórias do Cárcere”, versão com lembranças ao passado de Eduardo Cunha, são a nova promessa de superar o potencial destrutivo das delações premiadas da Odebrecht, JBS, OAS e outras “transações penais” na Lava Jato. Desde a segunda semana de maio, Cunha escreve os anexos de sua “colaboração” com o Ministério Público Federal. O advogado Décio Lins e Silva nega tal versão sobre a estratégia do “Malvado Favorito” da politicagem tupiniquim.
Quem pode ser tão ou mais destrutivo que Eduardo Cunha? O doleiro Lúcio Bolonha Funaro em fase adiantada na negociação da delação. Outro mais bombástico que ambos? O famoso “Homem da Mala” de R$ 500 mil reais. O deputado afastado Rodrigo Loures estaria “a ponto de explodir”, preso em uma sala na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, sozinho e impedido até de ver televisão. Loures só não parte para a deduragem premiada porque seu advogado Cezar Bittencourt é inimigo da transação penal.
Já o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, tem até terça-feira para denunciar ou arquivar a investigação por corrupção passiva e organização criminosa contra o Presidente Michel Temer. A tendência é que a agonia seja dividida. A acusação sobre obstrução de Justiça deve ser feita depois de concluída a perícia da Polícia Federal naquela conversa que Joesley Batista gravou com o Presidente no subsolo do Palácio do Jaburu.
A “sorte” de Temer é que a denúncia precisa ser aceita pela Câmara dos Deputados – o que tem enorme chance de não ocorrer, apesar das evidências e dos fatos comprovados. São necessários pelo menos 372 dos 513 votos de parlamentares para que o Supremo Tribunal Federal seja autorizado a seguir com o processo contra o Presidente que seria afastado automaticamente do cargo.
O advogado de Michel Temer, o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, já tem uma tese para a eventualidade de o Presidente acabar virando réu. O argumento formal é que a gravação de Joesley contra Temer foi captada de forma ilícita. Assim, ela não pode ser usada para embasar uma acusação criminal. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Mariz adverte: "É prova ilícita, a não ser que você esteja gravando para se defender no futuro. Há jurisprudência nesse sentido"
