Eliana Calmon diz que todos os órgãos da Bahia estão 'cooptados' pelo governo: 'TJ, MP e TCE'
Foto: Alexandre Galvão / Bahia Notícias
A
ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pré-candidata ao
Senado Eliana Calmon (PSB) declarou que “todos” os órgãos da Bahia –
dos três poderes – estão “cooptados” pelo governo do Estado. “O
Tribunal de Justiça, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, é tudo
assim. Se você vai para um lado, ele se fecha. Sabe onde é assim?
Rondônia”, comparou, em entrevista ao Bahia Notícias. Na unidade
federativa da Região Norte, um desembargador é acusado, entre outras
irregularidades, do pagamento indevido de R$ 4 milhões em precatórios em
benefício de um grupo de advogados e do desaparecimento de R$ 10
milhões. Ela lamenta não ter conseguido, enquanto ministra, a
contribuição do governador Jaques Wagner para corrigir as deficiências
do Judiciário baiano. “Eu liguei para [o atual presidente do Esporte
Clube Bahia e ex-assessor especial do governador] Fernando Schmidt e
disse: ‘Fernando, você me conhece, eu vou entrar de sola na Bahia,
porque até agora não consegui nada e gostaria que você comunicasse isso
ao governador, porque ele precisa me ajudar'. Ele não fez nada. Pelo
contrário”, criticou. Eliana listou outros locais em que houve
resultados efetivos na parceria do CNJ com o Executivo – segundo ela,
Pernambuco, comandado por seu correligionário Eduardo Campos, e
Amazonas, administrado por Omar Aziz (PSD). Filiada simbolicamente à
Rede Sustentabilidade, partido liderado pela ex-senadora Marina Silva
não-oficializado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujos membros
estão provisoriamente no PSB, a ex-ministra refuta a possibilidade de
aproximação do PT no segundo turno. “Se Lídice não for para o segundo
turno, eu devo me recolher com a Rede”, antecipou. Eliana descarta, no
entanto, usar dados de investigações do órgão fiscalizador da Justiça em
campanha eleitoral. "Seria uma indignidade", considerou.