BRASIL Veto de Dilma na LDO abre brecha para afrouxar controle de gastos de obras
Presidente tira artigos da lei que definiam tabelas do Dnit e da Caixa como referências de preços
A presidente Dilma Rousseff abriu uma brecha para afrouxar o
controle sobre custos de obras públicas em 2014, ano em que tenta um
novo mandato, e pretende acelerar a entrega dos serviços antes de ser
impedida pela lei eleitoral de participar de inaugurações. A medida
preocupa órgãos de controle como o Tribunal de Contas da União (TCU) e
também pode ser contestada no Legislativo. Ao sancionar a Lei de
Diretrizes Orçamentárias (LDO), no dia 24, Dilma vetou artigos que
definiam tabelas oficiais, mantidas pela Caixa Econômica Federal (CEF) e
pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit),
como referências de preços para projetos de construção civil e
rodoviários, respectivamente. Essas regras foram transpostas para um
decreto presidencial editado em abril, que pode ser alterado pelo
Planalto a seu critério, sem autorização do Legislativo, e que só vale
para o Executivo. É a primeira vez em 14 anos que os parâmetros de
precificação de obras públicas não constam da LDO. Por se tratar de um
veto, a medida pode ser derrubada pelo Congresso, em sessão conjunta
após o recesso. Mas isso é considerado improvável: é preciso o apoio de
257 deputados e 41 senadores, em votação aberta, e o governo mantém
ampla maioria na Câmara e no Senado.
Fábio Fabrini e Ricardo Della Coletta, Agência Estado