VIDA REAL;CRIANÇAS SOBREVIVEM CATANDO LIXO EM CANAL POLUÍDO EM PE
Paulinho nada com dificuldade em meio ao lixo e à lama (Foto: Diego
Nigro/JC Imagem)
Eles nadam onde nem os peixes se atrevem. De longe, suas cabeças se
confundem com os entulhos. Pela falta de quase tudo na terra, mergulham
no rio de lixo atrás da sobrevivência. Lá sim tem quase tudo: latinhas,
garrafas, papelão, móveis velhos, restos de comida, moscas, animais
mortos.
Menos dignidade. Lá, no Canal do Arruda, Zona Norte
do Recife, o absurdo é rotina. Anfíbios e miseráveis catam sonhos onde o
pesadelo é retrato soberano. São três meninos da comunidade
Saramandaia, melados até o pescoço da lama do abandono, numa área que o
prefeito da capital, Geraldo Julio (PSB), elencou como prioridade de sua
gestão e que, até agora, não viu resultados senão promessas.
O sol inclemente não intimida. É preciso aproveitar a maré baixa, quando
os resíduos se acumulam. A cena choca, intriga, envergonha. Em pleno
2013. Em plena capital pernambucana. Aos olhos de todos.
