Quadrilha executou assassinatos em série nos presídios

O Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio (Alexandre Vieira/Ag. O Dia-15/10/2013)
Conhecidos por seu total desrespeito às leis, os chefões do tráficos mostram-se implacáveis na hora de cumprir os códigos e decisões das quadrilhas. O depoimento à polícia do traficante Rodrigo Prudêncio Barbosa, 35 anos, o Gordinho, revelado por VEJA, detalhou uma lista de execuções tramadas pelo Comando Vermelho. Os assassinatos seriam uma “limpa” na facção, com alvos que vão de bandidos dos quais os chefões queriam se livrar a autoridades. As informações apresentadas por Gordinho aos policiais, em um depoimento gravado em vídeo e ao qual VEJA teve acesso, mostram como a quadrilha está empenhada em se fortalecer para recuperar territórios perdidos para as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e para traficantes rivais.
O CV criou uma espécie de “estatuto”, decidido por uma “comissão” de treze criminosos presos no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Os chefes da quadrilha estabeleceram, de dentro do presídio, e com informações passadas por seus pares em liberdade, uma relação de quatorze nomes que deveriam pagar com a vida, todos eles cumprindo pena. O motivo do depoimento de Gordinho, segundo ele próprio admitiu, é o medo de morrer pelas mãos dos assassinos do Comando Vermelho.
O primeiro a morrer foi Alexandro Costa dos Santos, em 4 de março deste ano. Os chefes da quadrilha suspeitam que ele tenha desviado 700 reais da caixinha de uma igreja que funciona dentro do presídio. Quatro meses mais tarde, em 8 de julho, Eduíno Eustáquio de Araújo, o Dudu da Rocinha, foi acusado de ser informante de agentes penitenciários que, um mês antes, haviam apreendido dezesseis celulares, duas granadas, duas pistolas e uma pequena quantidade de droga dentro das celas do presídio Vicente Piragibe. O julgamento do conselho sentenciou os dois presos com a pena de morte.